Oi pessoal,
Depois de ter falado sobre vários aspectos da História do Brasil (descobrimento e colônia), acho adequado abordar o tema da arte que está estreitamente vinculada a aspectos históricos do Brasil.
Exercício. Vamos ler o texto a seguir sobre a Semana de Arte Moderna e ver o vídeo como o mesmo nome em Youtube. Depois postem um comentário no blog.
A Semana de
Arte Moderna foi uma manifestação artístico-cultural que ocorreu no Teatro
Municipal em São Paulo durante os dias 11 a 18 de fevereiro de 1922.
O evento reuniu diversas apresentações de dança,
música, recital de poesias, exposição de obras (pintura e escultura) e
palestras.
Os artistas envolvidos propunham uma nova visão de
arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias.
Juntos, eles visavam uma renovação social e artística
no país e que foi deflagrada pela "Semana de 22".
O evento chocou grande parte da população e trouxe à
tona uma nova visão sobre os processos artísticos, bem como a apresentação de
uma arte “mais brasileira”.
Houve um rompimento com a arte acadêmica, inaugurando
assim, uma revolução estética e o Movimento Modernista no Brasil.
Mário de Andrade foi uma das figuras centrais e
principal articulador da Semana de Arte Moderna de 22. Ele esteve ao lado de
outros organizadores: o escritor Oswald de Andrade e o artista plástico Di
Cavalcanti.
Características da
Semana de Arte Moderna
Uma vez que o intuito principal desses artistas era
chocar o público e trazer à tona outras maneiras de sentir, ver e fruir a arte,
as características desse momento foram:
Ausência de formalismo; Ruptura com academicismo e
tradicionalismo; Crítica ao modelo parnasiano; Influência das vanguardas
artísticas europeias (futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo);
Valorização da identidade e cultura brasileira; Fusão de influências externas
aos elementos brasileiros; Experimentações estéticas; Liberdade de expressão; Aproximação
da linguagem oral, com utilização da linguagem coloquial e vulgar; Temáticas nacionalistas
e cotidianas.
A Semana de 1922:
Resumo
No centenário da Independência do país, ocorrida em
1822, o Brasil passava por diversas modificações sociais, políticas e
econômicas (advento da industrialização, fim da primeira guerra mundial, etc.).
Surge a necessidade de recorrer a uma nova estética, e
daí nasce a "Semana de Arte Moderna".
Ela esteve composta por artistas, escritores, músicos
e pintores que buscavam inovações estéticas. O intuito era criar uma maneira de
romper com os parâmetros que vigoravam nas artes em geral.
A maioria dos artistas era descendente das oligarquias
cafeeiras de São Paulo, que junto aos fazendeiros de Minas, formavam uma
política que ficou conhecida como “Café com Leite”.
Esse fator foi determinante para a realização do
evento, uma vez que foi respaldado pelo governo de Washington Luís, na época
governador do Estado de São Paulo.
Além disso, a maioria dos artistas, os quais possuíam
possibilidades financeiras para viajar e estudar na Europa, trouxeram para o país diversos modelos artísticos.
Assim, unidos à arte brasileira, foi se formando o movimento modernista no
Brasil.
Com isso, São Paulo demostrava (em confronto com o Rio
de Janeiro) novos horizontes e uma figura de protagonismo na cena cultural
brasileira.
Para Di Cavalcanti, a semana de arte: “seria uma
semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga
da burguesiazinha paulista”.
Foi assim que durante três dias (13, 15 e 17 de
fevereiro) essa manifestação artística, política e cultural reuniu jovens
artistas irreverentes e contestadores.
O evento foi inaugurado pela palestra do escritor
Graça Aranha: “A emoção estética da Arte Moderna”; seguido de apresentações
musicais e exposições artísticas.
No segundo dia, houve apresentação musical, palestra
do escritor e artista plástico Menotti del Picchia e a leitura do poema “Os
Sapos” de Manuel Bandeira, por Ronald Carvalho.
Por fim, no terceiro dia, teve uma apresentação
musical com mistura de instrumentos, exibida pelo carioca Villa Lobos.
Alguns artistas que participaram da Semana de Arte
Moderna de 1922 foram:
Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade
(1890-1954), Graça Aranha (1868-1931), Tarsila
do Amaral (1886-1973), Victor Brecheret (1894-1955), Plínio Salgado
(1895-1975), Anita Malfatti (1889-1964), Menotti Del Picchia (1892-1988), Ronald
de Carvalho (1893-1935), Guilherme de Almeida (1890-1969), Sérgio Milliet
(1898-1966), Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Tácito de Almeida (1889-1940), Di
Cavalcanti (1897- 1976).
A crítica ao movimento foi severa, as pessoas ficaram
desconfortáveis com tais apresentações e não conseguiram compreender a nova
proposta de arte. Os artistas envolvidos chegaram a ser comparados aos doentes
mentais e loucos.
Com isso, ficou claro que faltava uma preparação da
população para a recepção de tais modelos artísticos.
Monteiro Lobato foi um dos escritores que atacou com
veemência as ações da Semana de 22.
Ele publicou um artigo criticando as obras da pintora
Anita Malfatti:
“Há duas
espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas (..) A outra espécie é formada pelos que vêem
anormalmente a natureza e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a
sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da
cultura excessiva. (...) Embora eles se dêem como novos, precursores de uma
arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com
a paranóia e com a mistificação(...) Essas considerações são provocadas pela
exposição da senhora Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma
atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia”.
Após a Semana de Arte Moderna, considerada um dos
marcos mais importantes na história cultural do Brasil, foram criadas inúmeras
revistas, movimentos e manifestos.
A partir disso, diversos grupos de artistas se reuniam
com o intuito de disseminar esse novo modelo. Destacam-se: Revista Klaxon
(1922), Revista Estética (1924), Movimento Pau Brasil (1924), Movimento
Verde-Amarelo (1924), A Revista (1925), Manifesto Regionalista (1926), Terra
Roxa (1927), Outras Terras (1927), Revista de Antropofagia (1928), Movimento
Antropofágico (1928).
Fonte: https://www.todamateria.com.br/semana-de-arte-moderna/


