lunes, 6 de noviembre de 2017

CINEMA BRASILEIRO

Oi pessoal,

Para dar início a macrotarefa "Debate sobre filmes de conteúdo sóciocultural", vamos ler um pouco acerca da história do cinema brasileiro.

Exercício. Leiam o texto a seguir e enviem um comentário ao blog.  Nesta quarta-feira, 8 de novembro, conversaremos sobre o tema na sala de aula.

O Cinema chegou muito rápido ao Brasil em 1896, logo depois da Europa e EUA receberem a novidade.



Affonso Segretto

Desde cedo, o cinematógrafo aporta no Brasil com Affonso Segretto. Segretto, imigrante italiano que filmou cenas do porto do Rio de Janeiro, torna-se nosso primeiro cineasta em 1898. Um imenso mercado de entretenimento é montado em torno da capital federal no início do século XX, quando centenas de pequenos filmes são produzidos e exibidos para platéias urbanas que, em franco crescimento, demandam lazer e diversão.
Entre 1908 e 1911, o Rio conheceu a idade do ouro do cinema brasileiro, predominando uma produção em que os filmes reconstituíam os crimes, crapulosos ou passionais, que impressionavam a imaginação popular. De 1912 em diante, durante dez anos, foram produzidos anualmente apenas cerca de seis filmes de enredo, nem todos com tempo de projeção superior a uma hora. Os principais realizadores do período foram Francisco Serrador, Antônio Leal e os irmãos Botelho.

Os anos entre 1912 e 1922 são marcados pela primeira grande crise do nosso cinema, com problemas de produção e dificuldades de exibição nas salas de cinema, ocupadas pelos filmes norte-americanos, que vinha predominando no mercado mundial. Nestes anos, o cinema brasileiro foi amparado pela produção de documentários e cine-jornais, que levantavam recursos para a produção de filmes de ficção. São dessa época as chamadas “cavações”, onde por exemplo uma grande indústria contrata um cinegrafista e sua equipe para fazer um documentário institucional sobre a empresa, ou ainda importantes famílias encomendavam o registro de casamentos ou batizados. Entre os filmes desse tempo, destacam-se os calcados em obras célebres da literatura brasileira, principalmente as do período romântico.
Aproximadamente em 1925, dobra a média de produção anual, e há progresso na qualidade. Além do Rio de Janeiro e de São Paulo, produzem também as capitais de Pernambuco, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais (com o famoso ciclo de Cataguases, de Humberto Mauro e a Phebo Films) . Em torno de 1930, nasceram os clássicos do cinema mudo brasileiro e houve uma incursão válida na vanguarda ou ou menos hermética. Porém, quando o nosso cinema mudo alcança essa relativa plenitude, o filme falado já está vitorioso em toda parte.
A história do cinema falado brasileiro abre-se com um longo e penoso reinício. Durante as décadas de 1930 e 1940, a produção se limita praticamente ao Rio de Janeiro, onde se criam estúdios mais ou menos aparelhados. O resultado mais evidente foi a proliferação do gênero da comédia popularesca, vulgar e freqüentemente musical, registrou e exprimiu alguns aspectos e aspirações do panorama humano do Rio de Janeiro através das chanchadas. Os principais estúdios que se mantiveram ativos foram Brasil Vita Filmes ,de Carmem Santos e Cinédia de Ademar Gonzaga.
A década de 1950 marca,em São Paulo, a tentativa de se implantar a indústria cinematográfica, juntamente com a inauguração de um importante movimento teatral, marcado pela fundanção do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e a implementação das artes plásticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna).
A produção da Vera Cruz era chamado de Cinema Novo e era caracterizada por um sistema de estúdios, com a preocupação de produzir industrialmente seus filmes, que constituíam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lançando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como os de Tônia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliana Lage entre outros. O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem dúvida o qualitativo técnico, pois era bem equipada, contava com uma equipe técnica – maior parte estrangeira – que trazia consigo a experiência de fora, suas produções traduziam a preocupação de ser um cinema sério, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atlântida. A sua principal obra comercial, que ganhou Cannes, foi o Cangaceiro, de Lima Barreto, que inaugura o gênero de cangaço.
Paralelamente aos estúdios e em oposição a eles, tanto na sua vertente paulista quanto carioca, surgiu uma geração de realizadores independentes, que asseguraria a continuidade dos filmes de pretensões artísticas. Entre estes, destaca-se a produção de cineastas como Walter Hugo Khouri, que deu seguimento ao cinema de pretensões universalistas da Vera Cruz, realizando dramas psicológicos nos moldes do cinema clássico, e Nelson Pereira dos Santos, que enveredou por um cinema de tom neo-realista, fugindo aos padrões dos estúdios ao filmar Rio 40º e Rio, Zona Norte. Nelson assume papel de destaque no cinema brasileiro, fundando aqui o cinema moderno, aproximando-se da geração de jovens críticos e realizadores, e compondo com eles o Cinema Novo, o mais importante movimento do cinema brasileiro e momento de plena maturidade artística e cultural do nosso cinema.
Os cinco primeiros anos da década de 1960 são dominados, entretanto, pelo fenômeno baiano, que se constitui de um conjunto de filmes realizados na Bahia, produzidos alguns por baianos e outros por sulistas: Bahia de todos os santos e o Pagador de Promessas, destacam-se , o primeiro pelo pioneirismo de sua função, e o segundo pelo equilíbrio de sua fatura. Projeta-se, então, no cinema propriamente baiano, a figura de Glauber Rocha, que em 1961 estreou com Barravento e a seguir realizou esse poderoso Deus e o Diabo na terra do Sol.



Cartaz do filme Terra em Transe

As décadas seguintes revelam-se a época de ouro do cinema brasileiro. Mesmo após o golpe militar de 1964, que instala o regime autoritário no Brasil, os realizadores do Cinema Novo e uma nova geração de cineastas – conhecida como o “údigrudi”, termo irônico derivado do “underground” norte-americano – continuam a fazer obras críticas da realidade, ainda que usando metáforas para burlar a censura dos governos militares. Dessa época, destacam-se o próprio Gláuber Rocha, com “Terra em Transe” (1968), Rogério Sganzerla, diretor de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) e Júlio Bressane, este dono de um estilo personalíssimo. Ao mesmo tempo, o público reencontra-se com o cinema, com o sucesso das comédias leves conhecidas como “pornochanchadas”. 

Fonte:  https://salaseteartes.wordpress.com/cinema/historia-do-cinema-brasileiro/

domingo, 15 de octubre de 2017

TEATRO NO BRASIL

Teatro e Revista Brasileira: João CaetanoNOSSA BRASILIDADE | » 15 de Janeiro / Anchieta  
Caros alunos,

Percebi que vocês ficaram muito interessados pelo teatro português, desta vez vamos ler um pouco acerca do teatro no Brasil.

Exercício.  Leiam o artigo abaixo, depois coloquem seu comentário no blog.  Na quarta-feira, 18 de outubro conversaremos ao respeito na sala de aula.
 http://stoa.usp.br/cienciacultura/weblog/98963.html
O teatro no Brasil surgiu no século XVI, tendo como motivo a propagação da religiosa. Dentre uns poucos autores, destacou-se o padre José de Anchieta, que escreveu alguns autos (antiga composição teatral) que visavam a catequização dos indígenas, bem como a integração entre portugueses, índios e espanhóis.Exemplo disso é o Auto de São Lourenço, escrito em tupi-guarani, português e espanhol.Um hiato de dois séculos separa a atividade teatral jesuítica da continuidade e desenvolvimento do teatro no Brasil. Isso porque, durante os séculos XVII e XVIII, o país esteve envolvido com seu processo de colonização (enquanto colónia de Portugal) e em batalhas de defesa do território colonial. 
                         Foi a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, que trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela Independência, em 1822. O ator João Caetano estimulou a formação dos atores brasileiros e valorizou o seu trabalho e formou, em 1833, uma companhia brasileira. Seu nome está vinculado a dois acontecimentos fundamentais da história da dramaturgia nacional: a estreia, em 13 de março de 1838, da peça Antônio José ou O Poeta e a Inquisição, de autoria de Gonçalves de Magalhães, a primeira tragédia escrita por um brasileiro e a única de assunto nacional; e, em 4 de outubro de 1838, a estreia da peça O Juiz de Paz na Roça, de autoria de Martins Pena, chamado na época de o "Molière brasileiro", que abriu o filão da comédia de costumes, o gênero mais característico da tradição cênica brasileira. Gonçalves de Magalhães, ao voltar da Europa em 1867, introduziu no Brasil a influência romântica, que iria nortear escritores, poetas e dramaturgos. Gonçalves Dias (poeta romântico) é um dos mais representativos autores dessa época, e sua peça Leonor de Mendonça teve altos méritos, sendo até hoje representada. Alguns romancistas, como Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, e poetas como Álvares de Azevedo e Castro Alves, também escreveram peças teatrais no século XIX.
                       O século XX despontou com um sólido teatro de variedades, mescla do varieté francês e das revistas portuguesas. As companhias estrangeiras continuavam a vir ao Brasil, com suas encenações trágicas e suas óperas bem ao gosto refinado da burguesia. O teatro ainda não recebera as influências dos movimentos modernos que pululavam na Europa desde fins do século anterior.Os ecos da modernidade chegaram ao teatro brasileiro na obra de Oswald de Andrade, produzida toda na década de 1930, com destaque para O Rei da Vela, só encenada na década de 1960 por José Celso Martinez Corrêa. É a partir da encenação de Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues, que nasce o moderno teatro brasileiro, não somente do ponto-de-vista da dramaturgia, mas também da encenação, e em pleno Estado Novo.Surgiram grupos e companhias estáveis de repertório. Os mais significativos, a partir da década de 1940, foram: Os Comediantes, o TBC, o Teatro Oficina, o Teatro de Arena, o Teatro dos Sete, a Companhia Celi-Autran-Carrero, entre outros.
                     Quando tudo parecia ir bem com o teatro brasileiro, a ditadura militar veio impor a censura prévia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas não criativo. Prova disso é que nunca houve tantos dramaturgos atuando simultaneamente.Com o fim do regime militar, no início da década de 1980, o teatro tentou recobrar seus rumos e estabelecer novas diretrizes. Surgiram grupos e movimentos de estímulo a uma nova dramaturgia.

martes, 19 de septiembre de 2017

TEATRO PORTUGUÊS

Oi pessoal,

Visto que a próxima macro-tarefa será "Escrever uma peça de teatro", vamos conhecer um dos escritores mais importantes do teatro português.

Gil Vicente
retirado de:  http://www.cet-e-quinhentos.com/autores

Entre 1502 e 1536, Gil Vicente faz na corte de Portugal o melhor e mais avançado teatro da Europa cristã do seu tempo. Para um mundo novo, transforma de raiz um modelo que o tempo produzira. O autor (talvez ourives de primeiro ofício) terá trabalhado no teatro dos trinta e dois aos sessenta e seis anos da vida. No princípio do período manuelino, o trabalho de Gil Vicente foi instigado, apoiado e pago pela rainha Lianor, irmã de Manuel I e viúva de João II. Morto o rei Manuel em 1521, sucede-lhe o filho João III, que, como o pai e a tia, manda fazer teatro no paço. O primeiro terço do século XVI é o tempo de apogeu da corte de Portugal como centro de um movimento de expansão que abrange a África, a Índia e o Brasil. Lisboa torna-se um lugar de luxo e arte que só tem rival na corte do Papa. O teatro recorta-se como prática limitada e como mercadoria. Uns ordenam e outros representam. Num sistema novo de divisão do trabalho artístico, emergem ofícios em busca de legitimação: autores e actores. Compradores encomendam produtos com prazos e medidas, paga-se a quem faz e o teatro tenta equilibrar oferta e procura de arte. No teatro de Gil Vicente, auto é um nome comum que designa cerca de cinquenta produções teatrais: moralidades, farsas, comédias. Cada auto é a apresentação de um programa para acção de corpos. Existe como monumento especioso em festas religiosas e seculares. Sabe dos autos anteriores, da corte onde se faz, do mundo. Mas não é só memória acumulada. É movimento e nova invenção. O trabalho de Gil Vicente implica imaginar um projecto de auto, escolher e montar materiais, escrever e ensinar versos novos, achar um modo para vestir os actores, escolher ou fabricar o aparato, conhecer o espaço em que vai trabalhar, com entradas, saídas e mais formas. É preciso também fazer ou escolher as músicas. O conjunto dos autos forma uma série homogénea de acções textuais de corpos vivos: autor, actores e mais quem vê. O autor é fundador e proponente. Os actores são corpos que mexem no espaço e produzem sequências de imagens e sons. Gil Vicente é autor e actor. Desde o primeiro auto, dá-se a ver e a ouvir, expondo o próprio corpo feito texto. Não se sabe quem são os outros actores. Aliás, de todo este trabalho de teatro ficou pouca memória. Nenhum pintor, ao que parece, representou um momento a fazer-se. Quase ninguém contou por escrito como foi. Diogo do Couto, Garcia e André de Resende, o cardeal Aleandro falaram da sua realidade, mas pouco contaram. De qualquer modo, por muita memória que tivesse ficado, o que se poderia sempre dizer dos autos de Gil Vicente é que houve muitos e não há nenhum. São acções perdidas porque o trabalho de teatro não fica todo na memória digital. Quase tudo o que hoje se sabe do teatro de Gil Vicente vem da Copilaçam de todalas obras, impressa em 1562 e organizada pelos filhos Luís e Paula, e de alguns folhetos anteriores, impressos em vida e à vista do autor, por vezes com informação próxima dos autos: Barca do Inferno, Maria Parda, Dom Duardos, Inês Pereira. Os objectos artísticos de Gil Vicente produziram escritos, espectáculos, desenhos, músicas. Foram feitas bibliografias em 1942 por Castro e Azevedo (Lisboa: Biblioteca Nacional) e em 1980 [e 1997] por Constantine Stathatos (Londres: Grant & Cutler). O manual de base é ainda o livro de Braamcamp Freire Vida e Obras de Gil Vicente «Trovador, Mestre da Balança», escrito em 1919. Convém que o leitor conheça a Copilaçam de 1562 e os folhetos, ao menos por reproduções analógicas. Osório Mateus, 1995.



Exercício.  Depois de ter lido o texto acima, procurem alguma das obras de Gil Vicente e tragam para a sala de aula "um fragmento" da obra. Postem sua contribuição antes de 4 de outubro.  Na aula da quarta-feira conversaremos sobre a obra de Gil Vicente. Se quiserem podem buscar outros dramaturgos portugueses ou brasileiros e trazer informação para compartilhar na sala de aula.

domingo, 27 de agosto de 2017

PORTUGAL, BERCO DA CULTURA PORTUGUESA



 Oi pessoal,






Vamos ler um pouco mais acerca de Portugal, berço da língua-cultura portuguesa.

Primeiros povos

A pré-história de Portugal é partilhada com a do resto da Península Ibérica. Os vestígios humanos modernos mais antigos conhecidos são de homens de Cro-Magnon com "traços" de Neanderthal, com 24 500 anos e que são interpretados como indicadores de extensas populações mestiças entre as duas espécies. São também os vestígios mais recentes de seres com caraterísticas de Neandertal que se conhece, provavelmente os últimos da sua espécie. Há cerca de 5500 a.C., surge uma cultura mesolítica. Durante o Neolítico a região foi ocupada por pré-celtas e celtas, dando origem a povos como os galaicos, lusitanos e cinetes, e visitada por fenícios e cartagineses. Os romanos incorporaram-na no seu Império como Lusitânia (centro e sul de Portugal), após vencida a resistência onde se destacou Viriato.
No século III, foi criada a Galécia, a norte do Douro, a partir da Tarraconense, abrangendo o norte de Portugal. A romanização marcou a cultura, em especial a língua latina, que foi a base do desenvolvimento da língua portuguesa.
Com o enfraquecimento do império romano, a partir de 409, o território é ocupado por povos germânicos como vândalos na Bética, alanos que fixaram-se na Lusitânia e suevos na Galécia. Em 415 os visigodos entram na Península, a pedido dos romanos, para expulsar os invasores. Vândalos e alanos deslocam-se para o norte de África. Os suevos e visigodos fundam os primeiros reinos cristãos. Em 711 o território é conquistado pelos mouros que aí estabeleceram o Al-Andalus. Os cristãos recolhem-se para norte, acantonados no Reino das Astúrias. Em 868, durante a Reconquista, foi formado o Condado Portucalense.

Formação e consolidação do reino


Mapa político do noroeste da Península Ibérica no final do século XII.

O núcleo do Estado Português foi o Condado Portucalense, estabelecido no século IX como parte da Reconquista do reíno das Astúrias, por Vímara Peres. O condado tornou-se parte do Reino de Leão em 1097.
Muito antes de Portugal conseguir a sua independência, já tinha havido algumas tentativas de alcançar uma autonomia mais alargada e até a independência foi tentada por parte dos condes que governavam as terras do Condado da Galiza e de Portucale (com destaque para Nuno Mendes). Para anular as tentativas de independência da nobreza local em relação ao domínio leonês, o Rei Afonso VI entregou o governo do Condado da Galiza (que nessa altura incluía as terras de Portucale) ao Conde Raimundo de Borgonha, seu genro. Após muitos fracassos militares de D. Raimundo contra os mouros, Afonso VI decidiu entregar em 1096 ao primo deste, o Conde D. Henrique, também ele genro do rei, o governo das terras mais a sul do Condado da Galiza, (re)fundando assim o Condado Portucalense.
Com o governo do Conde D. Henrique, o Condado Portucalense conheceu não só uma política militar mais eficaz na luta contra os mouros, como também uma política independentista mais ativa. Só após a sua morte, quando o seu filho D. Afonso Henriques subiu ao poder, Portugal conseguiu a sua independência, com a assinatura em 1143 do Tratado de Zamora, ao mesmo tempo que conquistou localidades importantes como Santarém, Lisboa, Palmela (que foi abandonada pelos mouros após a conquista de Lisboa) e Évora, esta conquistada por Geraldo Sem Pavor aos mouros.
Terminada a Reconquista do território português em 1249, a independência do novo reino viria a ser posta em causa várias vezes por Castela. Primeiro, na sequência da crise de sucessão de D. Fernando I, que culminou na Batalha de Aljubarrota, em 1385.

Costumes



Gastronomia
Todos os países têm tradições muito próprias, especialmente no que toca à culinária! A gastronomia portuguesa é soberba e irá proporcionar-lhe momentos deliciosos. Entre as principais especialidades contam-se os pastéis de nata, os queijos regionais, o bacalhau, numerosos pratos de carne, peixe ou marisco, bem como excelentes vinhos. 


Artes
Portugal possui uma vida artística muito florescente, da literatura à arquitectura e do teatro à dança. Quer as suas preferências estejam voltadas para a música, a animação nocturna, os museus ou as exposições, irá encontrar numerosos locais para visitar, especialmente na capital, Lisboa. 




Festas populares
As romarias são festas religiosas que se realizam em honra de santos em muitas localidades portuguesas. Se passar por uma região onde esteja a decorrer uma destas festividades, não perca pois vale a pena! Poderá observar a procissão solene, os trajos e as figuras religiosas antes de participar na festa que se segue!

Trajos regionais10 de Março de 2014 - BLOGUE DO MINHO
O vestuário tradicional do Alentejo, como o barrete verde e vermelho dos campinos ou a samarra, continua a ser usado em muitas ocasiões.
Os trajos regionais do Norte, sobretudo no Minho, também podem ser vistos durante os casamentos e outras ocasiões festivas. As mulheres vestem trajos muito ricos e coloridos, com tons dominantes de vermelho, branco ou preto, e usam longos colares de ouro ao peito, cobrindo a cabeça com um lenço.
Em Trás-os-Montes e Alto Douro, os pastores vestiam outrora capas de colmo (croças) para se protegerem da chuva. Hoje, o uso de vestuário negro de luto continua a ser comum, sobretudo nas povoações do interior do país.
O trajo típico da Madeira continua a ser usado pelas floristas e nos mercados locais.

retirado da Wikipedia e http://www.portugal.livenet
Exercício. Depois de ter lido o texto acima, postem seu comentário no blog e procurem outras informações sobre literatura, economia, política, entre outros. Na quarta-feira, 30 de agosto comentaremos o conteúdo do blog e as informaões que vocês levem a sala de aula.












domingo, 20 de agosto de 2017

UM POUCO DE FADO

Oi pessoal,

Vamos ler um pouco acerca do Fado português.

O fado é um estilo musical português. Geralmente é cantado por uma só pessoa (fadista) e acompanhado por uma guitarra clássica (nos meios fadistas denominada viola) e uma guitarra portuguesa. O fado foi elevado à categoria de Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO[1] numa declaração aprovada no VI Comité Intergovernamental desta organização internacional, realizado em Bali, na Indonésia, entre 22 e 29 de Novembro de 2011.

Origem
A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, "destino", é a mesma palavra que deu origem às palavras fada, fadario, e "correr o fado".
Uma explicação popular para a origem do fado de Lisboa remete para os cânticos dos mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no Fado, teriam sido herdadas daqueles cantos. No entanto, tal explicação é ingénua de uma perspectiva etnomusicológica. Não existem registos do fado até ao início do século XIX, nem era conhecido no Algarve, último reduto dos árabes em Portugal, nem na Andaluzia onde os árabes permaneceram até aos finais do século XV.
"Na Irlanda, o cantor ou vate tinha o nome de Faith, e no tempo de Francisco I, Fatiste era o compositor «de jeux et novalistés » em que se vê a transição para a forma dramática, e a importância que merece entre nós o nome de Fadista dado ao cantor popular."
Uma outra origem é do escandinavo "fata", que significa vestir, compor, que teria dado origem, segundo outra teoria, no francês antigo ao termo "fatiste" que significa poeta."Assim podemos ver que o fado é uma degeneração da xacara, que pelas transformações sociais, veio a substituir a canção de gesta da idade média".
Numa outra teoria, também não completamente provada, a origem do fado parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o Lundu que por sua vez tem origem em danças angolanas com o Kaduke de Mbaka, posteriormente uma das mais populares danças praticadas em Luanda com o nome de masemba. No essencial, a origem do fado é ainda desconhecida, mas certo é, que surge no rico caldo de culturas presentes em Lisboa, sendo por isso uma canção urbana.
Fado do marinheiro

Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.

Deitaram a todos as sortes
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P´ró jantar daquele dia

Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.

Mas de repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras , terras de Lisboa.
— Cancioneiro popular
No entanto o fado só passou a ser conhecido depois de 1840, nas ruas de Lisboa. Nessa época só o fado do marinheiro era conhecido, e era, tal como as cantigas de levantar ferro as cantigas das fainas, ou a cantiga do degredado, cantado pelos marinheiros na proa do navio. O fado mais antigo é o fado do marinheiro, e é este fado que vai se tornar o modelo de todos os outros géneros de fado que mais tarde surgiriam como o fado corrido que surgiu a seguir e depois deste o fado da cotovia. E com o fado surgiram os fadistas, com os seus modos característicos de se vestirem, as suas atitudes não convencionais, desafiadoras por vezes, que se viam em frequentes contendas com grupos rivais. Um fadista, ou faia, de 1840 seria reconhecido pela sua maneira de trajar:
" Usava boné de oleado com tampo largo, e pala de polimento, ou boné direito do feitio dos guardas municipais, com fita preta formando laço ao lado e pala de polimento; jaqueta de ganga ou jaqueta com alamares."
" O seu penteado[]consistia em trazer o cabelo cortado de meia cabeça para trás, mas comprido para diante, de maneira que formasse melenas ou belezas, empastadas sobre a testa."
Na primeira metade do século XX, já em Portugal, o fado foi adquirindo grande riqueza melódica e complexidade rítmica, tornando-se mais literário e mais artístico. Os versos populares são substituídos por versos elaborados e começam a ouvir-se as décimas, as quintilhas, as sextilhas, os alexandrinos e os decassílabos.
Durante as décadas de 30 e 40, o cinema, o teatro e a rádio vão projectar esta canção para o grande público, tornando-a de alguma forma mais comercial. A figura do fadista nasce como artista. Esta foi a época de ouro do fado onde os tocadores, cantadores saem das vielas e recantos escondidos para brilharem nos palcos do teatro, nas luzes do cinema, para serem ouvidos na rádio ou em discos.
Surgem então as Casas de Fado e com elas o lançamento do artista de fado profissional. Para se poder cantar nestas Casas era necessário carteira profissional e um repertório visado pela Comissão de Censura, bem como, um estilo próprio e boa aparência. As casas proporcionavam também um ambiente de convívio e o aparecimento de letristas, compositores e intérpretes.
Já em meados do século XX o fado iniciou sua conquista pelo mundo, tornando-se muito famoso também fora de Portugal.
Os artistas que cantam o fado trajavam de negro. É no silêncio da noite, com o mistério que a envolve, que se deve ouvir, com uma "alma que sabe escutar", esta canção, que nos fala de sentimentos profundos da alma portuguesa. É este o fado que faz chorar as guitarras…
O fadista canta o sofrimento, a saudade de tempos passados, a saudade de um amor perdido, a tragédia, a desgraça, a sina e o destino, a dor, amor e ciúme, a noite, as sombras, os amores, a cidade, as misérias da vida, critica a sociedade… Em contraste com o conteúdo melancólico, o compasso do fado transmite um humor animador e possivelmente este contraste contribui à fascinação do fado.

retirado de: Wikipedia internet


Exercício.  Depois de ter lido o artigo acima, coloque seu comentário no blog antes da quarta-feira, 23 de agosto de 2017, e procure outras informações na internet acerca do fado para compartilhar com seus colegas na sala de aula.


domingo, 13 de agosto de 2017

VINICIUS DE MORAES- UM DOS FUNDADORES DO MOVIMENTO DA "BOSA NOVA"

Oi pessoal,

Para iniciar o trabalho no nosso blog, leiam o texto abaixo sobre a vida e obra de Vinicius de Moraes. Nós já lemos alguns poemas dele na sala de aula, mas vamos ler um pouco sobre um dos maiores poetas, compositores e escritores do Brasil.



Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, conhecido como Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro, com ascendência nobre e de dotes artísticos.

Com apenas 16 anos entrou para a Faculdade de Direito do Catete, onde se formou em 1933, ano no qual teve seu primeiro livro publicado “O caminho para a distância”. Durante o período de formação acadêmica firmou amizades com vínculos boêmios e desde então, viveu uma vida ligada à boemia.

Após alguns anos foi estudar Literatura Inglesa na Universidade de Oxford, no entanto, não chegou a se formar em razão do início da Segunda Guerra Mundial. Ao retornar ao Brasil, morou em São Paulo, onde fez amizade com Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade e também efetivou o primeiro de seus nove casamentos. Logo após algumas atuações como jornalista, cronista e crítico de cinema, ingressou na diplomacia em 1943. Por causa da carreira diplomática, Vinicius de Moraes viajou para Espanha, Uruguai, França e Estados Unidos, contudo sem perder contato com o que acontecia na cultura do Brasil.

É um dos fundadores do movimento revolucionário na música brasileira, chamado de “Bossa Nova”, juntamente com Tom Jobim e João Gilberto. Com essa nova empreitada no mundo da música, Vinicius de Moraes abandonou a diplomacia e se tornou músico, compôs diversas letras e viajou através das excursões musicais. Durante esse período viveu intensamente os altos e baixos da vida boêmia, além de vários casamentos.

O início da obra de Vinicius de Moraes segue uma aliança com o Neo-Simbolismo, o qual traz uma renovação católica da década de 30, além de uma reformulação do lado espiritual humano. Vários poemas do autor enquadram-se nesta fase de temática bíblica. Porém, com o passar dos anos, as poesias foram focando um erotismo que passava a entrar em contradição com a sua formação religiosa.

Após essa fase de dicotomia entre prazer da carne e princípios cristãos, infelicidade e felicidade, Vinicius de Moraes partiu para uma segunda fase poética: a temática social e a visão de amor do poeta.

Há diferenças na estrutura da primeira fase poética do escritor em relação à segunda: a mudança dos versos longos e melancólicos para uma linguagem mais objetiva e coloquial.

Vinicius de Moraes foi um poeta que marcou a literatura e a música, e até hoje é relembrado, inclusive em nomes de avenidas, ruas, perfumes, etc.
O verbo no infinito

Vinicius de Moraes


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer,
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...

Fonte:  http://brasilescola.uol.com.br/literatura/vinicius-moraes.htm

Depois de ter lido o texto acima, procure alguma informação sobre o trabalho do Vinicius de Moraes no movimento da "Bossa Nova" e coloque um comentário breve no blog, antes da quarta-feira, 16 de agosto de 2017.  

Na sala de aula conversaremos acerca desse movimento musical.

viernes, 5 de mayo de 2017

COMO ESCREVER UM ARTIGO PARA UMA REVISTA?






Resultado de imagen de revistas brasileñasOi pessoal,

Vamos trabalhar na última macro-tarefa deste semestre "Elaborar um número de uma revista com textos próprios".  Para isso, vocês têm que se organizar para decidir: qual o nome da revista, que tópicos farão parte do número da revista, qual será o formato, quem editará os artigos? Lembrem-se que da mesma forma que se trabalharam algumas das macro-tarefas anteriores, o trabalho para esta será de tipo colaborativo.

A data para entregar a revista será: 19 de maio de 2017.  

Eis um artigo que nos orienta para saber como redigir um artigo para uma revista. Leiam-no e postem seu comentário antes da terça-feira, 9 de maio. 

Como escrever um artigo para uma revista
Escrever um artigo para uma revista é algo que difere dos textos curtos que os jornais costumam publicar, pois a maioria das revistas oferece mais espaço para desenvolver e aprofundar o texto através de pesquisas. Apesar de você não estar escrevendo um artigo acadêmico, mas sim um texto que pretenda atrair um público menos específico, é muito importante que você tenha um bom conhecimento do assunto sobre o qual vai escrever. Isso se consegue somente através de bastante pesquisa, boas fontes, e muita conversa com pessoas que já conhecem o tema.
Além disso, como em qualquer texto jornalístico, é importante, já no início do texto, responder as questões básicas:
  1. O quê?
  2. Como? 
  3. Quem?
  4. Quando?
  5. Onde?
  6. Por que?
Veja um exemplo:
O blog Lendo.org (quem) oferece a você textos de opinião e informativos sobre livros e literatura, além de conteúdo específico para estudantes universitários, principalmente aqueles que cursam uma licenciatura (o quê). Não importando em que altura de sua graduação você esteja (quando), ou a universidade do Brasil ou do mundo em que você estude (onde), aqui você vai encontrar textos que vão ajudá-lo a expandir sua visão de mundo através da literatura e a aproveitar melhor seus estudos através dos diversos guias para estudantes que o blog oferece (por que e como).
O restante do artigo da revista elabora e aprofunda esses elementos, frequentemente com bastantes detalhes. Se o artigo for de destaque, então o aprofundamento deverá ser ainda maior, fornecendo ao leitor mais dados que podem ser exibidos através de tabelas, gráficos, imagens e caixas de texto paralelas a matéria. Deve-se também adaptar o formato do texto conforme o público leitor da revista: em uma revista de viagens, os artigos devem falar de um lugar específico ou algum evento o qual os leitores possam gostar de participar (ou simplesmente tomar conhecimento). Em alguns tipos de artigos, entrevistas com especialistas ou pessoas relevantes quanto ao assunto também são de grande valor.
Abaixo, mais algumas dicas pontuais que você deve levar em conta na hora de escrever seu artigo.
  1. Pesquise muito e adquira um conhecimento sólido sobre o tópico sobre o qual você deseja escrever.
  2. Quando receber o sinal verde do editor, escreva o artigo.
  3. Use um editor de textos com correção ortográfica para evitar erros de digitação.
  4. Releia o artigo várias vezes para ter certeza de que não há problemas de gramática. Peça a sua professora para ler também antes de editar a revista.

sábado, 25 de marzo de 2017

CONTISTAS: ECA DE QUEIROS E MIA COUTO


Boa tarde de sábado,


Como coloquei no meu último comentário na entrada anterior do blog, escolhi dos escritores que são reconhecidos internacionalmente por sua obra, refiro-me a José Maria Eça de Queirós e a Mia Couto.

Exercício.  Leiam a informação a seguir sobre os dois escritores e o início de um conto de cada um deles.  Depois procurem na web os contos completos e leiam-nos, vocês podem colocar seu comentário no blog depois da Semana Santa. 


 Lembrem-se que na quarta-feira, 29 de março vamos fazer a atividade "Café Literário", na qual vocês vão ler seus contos.

Eça de Queirós (1845-1900) foi um escritor português. "O Crime do Padre Amaro" foi o seu primeiro grande trabalho, um marco inicial do Realismo em Portugal. Foi considerado o melhor romance realista português do século XIX. Foi o único romancista português que conquistou fama internacional nessa época. Foi duramente criticado por suas críticas ao clero e à própria pátria. A crítica social unida à análise psicológica aparece nos livros "O Primo Basílio", "O Mandarim", "A Relíquia" e "Os Maias".
Eça de Queirós (1845-1900) nasceu no dia 25 de novembro, na cidade de Póvoa de Varzim, Portugal. Seus pais, o brasileiro José Maria Teixeira de Queirós e a portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça, casaram-se quatro anos após seu nascimento. Esse fato fez com que o ocultassem por muito tempo. Passou sua infância e adolescência longe da família, sendo criado pelos aós paternos. Foi interno no Colégio da cidade do Porto. Ingressou em 1861 na Universidade de Coimbra, onde em 1866 se formou em Direito. Manteve ligação com Antero de Quental e Teófilo Braga, da chamada "Escola Coimbrã", mas só filiou-se ao grupo em 1870.
Exerceu a advocacia e o jornalismo em Lisboa. Em 1867, dirigiu na cidade de Évora, o jornal de oposição “O Distrito de Évora”. Voltou para Lisboa e revelou-se como escritor no folhetim “Gazeta de Portugal”. Em 1869, como jornalista, assistiu a inauguração do Canal de Suez, no Egito, que resultou na obra “O Egito”. Em 1871, com a colaboração do escritor Ramalho Ortigão, escreveu a novela policial "O Mistério da Estrada de Sintra", e nesse mesmo ano lançou um folheto mensal "As Farpas", contendo sátiras à sociedade portuguesa e suas instituições.
Em 1871, Eça de Queirós profere em conferência o tema "O Realismo Como Nova Expressão de Arte", no Cassino de Lisboa. Em 1872 ingressa na carreira diplomática, é nomeado cônsul em Havana, e em 1874 é transferido para a Inglaterra.
O romance "O Crime do Padre Amaro", publicado em 1875, foi o marco inicial do Realismo em Portugal, nele, Eça faz uma crítica violenta da vida social portuguesa, denuncia a corrução do clero e da hipocrisia dos valores burgueses. A crítica social unida à análise psicológica aparece também no romance "O Primo Basílio", publicado em 1878, em "Mandarim", 1880, e em "Relíquia", 1887.
Em 1885 visita, em Paris, o escritor francês Émile Zola. Casa-se com Emília de Castro Pamplona Resende, em 1886. O casal teve dois filhos, Maria e José Maria. Em 1888 foi nomeado cônsul em Paris, ano que publica "Os Maias". Nesse romance observa-se uma mudança na atitude irreverente de Eça de Queirós, segundo o crítico João Gaspar Simões, o autor "deixa transparecer os mistérios do destino e as inquietações do sentimento, as apreensões da consciência e os desequilíbrios da sensualidade”.
Surge então uma nova fase literária, em que Eça deixa transparecer uma descrença no progresso. Manifesta a valorização das virtudes nacionais e a saudade da vida no campo. É o momento dos romances "A Ilustre Casa de Ramires" e "A Cidade e as Serras", o conto "Suave Milagre" e as biografias religiosas.
José Maria Eça de Queirós morreu em Paris, França, no dia 16 de agosto de 1900

retirado de:  https://www.ebiografia.com/eca_queiroz/

SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA

Começou por me dizer que o seu caso era simples — e que se chamava Macário…
Devo contar que conheci este homem numa estalagem do Minho. Era alto e grosso: tinha uma calva larga, luzidia e lisa, com repas brancas que se lhe eriçavam em redor: e os seus olhos pretos, com a pele em roda engelhada e amarelada, e olheiras papudas, tinham uma singular clareza e rectidão — por trás dos seus óculos redondos com aros de tartaruga. Tinha a barba rapada, o queixo saliente e resoluto. Trazia uma gravata de cetim negro apertada por trás com uma fivela; um casaco comprido cor de pinhão, com as mangas estreitas e justas e canhões de veludilho. E pela longa abertura do seu colete de seda, onde reluzia um grilhão antigo — saíam as pregas moles de uma camisa bordada.
Era isto em Setembro; já as noites vinham mais cedo com uma friagem fina e seca e uma escuridão aparatosa. Eu tinha descido da diligência, fatigado, esfomeado, tiritando num cobrejão de listras escarlates.
Vinha de atravessar a serra e os seus aspectos pardos e desertos. Eram oito horas da noite. Os céus estavam pesados e sujos. E, ou fosse um certo adormecimento cerebral produzido pelo rolar monótono da diligência, ou fosse a debilidade nervosa da fadiga, ou a influência da paisagem escarpada e chata, sobre côncavo silêncio nocturno, ou a opressão da electricidade que enchia as alturas, o facto é que eu — que sou naturalmente positivo e realista — tinha vindo tiranizado pela imaginação e pelas quimeras. Existe no fundo de cada um de nós, é certo — tão friamente educados que sejamos — um resto de misticismo; e basta às vezes uma paisagem soturna, o velho muro de um cemitério, um ermo ascético, as emolientes brancuras de um luar — para que esse fundo místico suba, se alargue como um nevoeiro, encha a alma, a sensação e a ideia, e fique assim o mais matemático, ou o mais crítico, tão triste, tão visionário, tão idealista — como um velho monge poeta. A mim, o que me lançara na quimera e no sonho fora o aspecto do Mosteiro de Restelo, que eu tinha visto, na claridade suave e outonal da tarde, na sua doce colina. Então, enquanto anoitecia, a diligência rolava continuamente ao trote esgalgado dos seus magros cavalos brancos, e o cocheiro, com o capuz do gabão enterrado na cabeça, ruminava no seu cachimbo — eu pus-me elegiacamente, ridiculamente, a considerar a esterilidade da vida: e desejava ser um monge, estar num convento, tranquilo, entre arvoredos, ou na murmurosa concavidade de um vale, e enquanto a água da cerca canta sonoramente nas bacias de pedra, ler a «Imitação», e, ouvindo os rouxinóis nos loureirais, ter saudades do Céu. — Não se pode ser mais estúpido. Mas eu estava assim, e atributo a esta disposição visionária a falta de espírito — a sensação — que me fez a história daquele homem dos canhões de veludinho.
https://contosdocovil.wordpress.com/2008/06/10/singularidades-de-uma-rapariga-loura/


 

Mia Couto

Mia Couto (pseudônimo de Antônio Emílio Leite Couto) nasceu em Beira, Moçambique, na África, no dia 05 de julho de 1955. Sua paixão por gatos o fez adotar o pseudônimo de Mia. Filho de imigrantes portugueses, com 14 anos teve seus poemas publicados no jornal “Notícias da Beira”. Em 1971 muda-se para a capital Lourenço Marques (hoje Maputo), onde estudou Medicina, sem concluir o curso. Exerceu a função de jornalista na “Tribuna” e no “Jornal de Notícias”. Foi diretor da Agência de Informações de Moçambique.
Em 1983, Mia Couto publica seu primeiro livro de poesias “Raiz de Orvalho”, onde aborda as representações dos sonhos para refazer a memória do país e recuperar a identidade que o processo de colonização desmantelou. Em 1992, publicou “Terra Sonâmbula”, que foi considerado um dos melhores livros africanos do século XX. É um romance escrito em prosa poética, que compõe uma bela fábula que nos ensina a sonhar, mesmo nas condições mais adversas. Nos versos de “Poema Mestiço”, Mia Couto busca a identidade, além de uma esperança que é depositada no futuro, expressando o desejo de mudança.
Além de ser considerado um dos mais importantes escritores de Moçambique, tem seus livros traduzidos em diversos países. Entre outros obras, publicou "Tradutor de Chuva” (2011).

retirado de: https://pensador.uol.com/br/autor/mia_couto/biografia

A CARTA
[Mia Couto]

A velha dobrou as pernas como se dobrasse os séculos. Ela sofria doença do chão, mais e de mais se deixando nos caídos. Amparava-se em poeiras, seria para se acostumar à cova, na subfície do mundo?

- Me leia a carta. Me entregava o papel marrotado, dobrado em mil sujidades. Era a Carta de seu filho, Ezequiel. Ele se longeara, de farda, cabelo no zero. A carta, ele a enviara fazia anos muito coçados. Sempre era a mesma, já eu lhe conhecia de memória, vírgula a vírgula.

- Outra vez, mamã Cacilda?
- Sim, maistravez.

Sentei o papel sob os olhos, fingi acarinhar o desenho das letras. Quase nem se viam, suadas que estavam. Dormiam sob o lenço de Cacilda, desde que chegara a guerra. Essas letras cheiram a pólvora, me rodilham o coração. Era o dito da velha. 

retirado de: http://culturadetravesseiro.blogspot.mx/2009/01/contos-mia-couto-sangua-da-av-carta.html


domingo, 12 de marzo de 2017

CONCEITO DE CONTO


Boa tarde pessoal,



Vamos continuar trabalhando com outro gênero narrativo, isto é "O conto".  A seguir podem ler o artigo "Conceito de conto", logo coloquem seu comentário no blog e leiam e escutem o conto "A gravura".  Na quarta-feira conversaremos sobre este tópico na sala de aula.

CONCEITO DE CONTO 
fonte:  http://conceito.de/conto

A palavra conto deriva do termo latino compŭtus, que significa “conta”. O conceito faz referência a uma narrativa breve e fictícia. A sua especificidade não pode ser fixada com exactidão, pelo que a diferença entre um conto extenso e uma novela é difícil de determinar.
Um conto apresenta um grupo reduzido de personagens e um argumento não demasiado complexo, uma vez que entre as suas características aparece a economia de recursos narrativos.
É possível distinguir entre dois grandes tipos de contos: o conto popular e o conto literário.

O conto popular tende a estar associado às narrativas tradicionais que são transmitidas de geração em geração, oralmente (de “boca em boca”). Podem existir várias versões de um mesmo relato, tendo em conta que há contos que conservam uma estructura semelhante embora com diferentes detalhes.
O conto literário, por sua vez, está associado ao conto moderno. Trata-se de relatos concebidos por escrito e transmitidos da mesma forma. Apesar de a maioria dos contos populares não apresentarem um autor diferenciado, o caso dos contos literários é diferente, já que o seu criador costuma ser conhecido.

Entre os contos escritos na língua de Camões, destaca-se A Gravura (de Irene Lisboa), que faz parte das histórias sobre os “Sonhos in «Uma Mão Cheia de Nada Outra de Cousa Nenhuma”, Porto, Livraria Figueirinhas, s/d.

Por outro lado, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora menciona que a palavra conto também se pode referir ao relato indiscreto de um sucesso, à narração de um sucesso falso ou a um engano. Por outras palavras, uma mentira ou ainda um boato. Por exemplo: “O Pedro veio com o conto (a história) que não consegue arranjar um emprego”.

 "A gravura" de Irene Lisboa

E o sonho com uma gravura que havia, muito do meu gosto?
Sonhei que aquilo tudo era real: vi-a animar-se, mexerem-se as figuras...
Nisto abria-se o portão. Por uma *alameda abaixo vinham dois cavaleiros e uma amazona. Ela falava e ria-se e até voltava a cara para trás. Procurava com os olhos um belo cavaleiro, *desirmanado do grupo, que montava um cavalo bravio. Também havia mais cavaleiros e amazonas, que se não distinguiam lá muito bem.
Mas tudo aquilo era bonito, era elegante.
Saíram todos do portão, finalmente, e até uma das damas, com a ideia que teve de arrancar um *tronquinho de hera, ia caindo do cavalo abaixo.
Deixei de ouvir o *trupe dos cavalos e as vozes e vi-me sozinha. Só, só de todo! No meio do campo. Fazia um luar divino. E todo o meu desgosto era de não ser fidalga, de não pertencer também à cavalgada.
Pus-me a andar de um lado para o outro e a falar só. Porque não tinha eu ido com eles? Com eles é que eu devia ter ido! À noite vestiria um fato de baile...
Olhei para o chão, que me pareceu todo *malhado. Eu não devia pisar nenhuma daquelas malhas. Eram de luar líquido. Devia saltar por cima delas, e era o que fazia. Dava cada salto! Cheguei a saltar de árvore para árvore. De cima de uma delas até descobri um salão onde as fidalgas andavam a dançar.
Lá lá lá...lá lá lá...lá lá lá...Que valsa tão doce e tão agradável! Conhecia-a tão bem!
Eles, de calção de seda e de meia alta, elas, *de cauda...
Deixem-me dançar também, dizia eu, sem que ninguém me pudesse ouvir. Por fim agarrei-me a uma árvore e pus-me a andar à roda.
Mas que vergonha, que vergonha! Descobriram-me!
Nisto acordei. 

Glossário:
*alameda - passeio público.
*desirmanado - pessoa que se separou (i)da outra pessoa com quem fazia par.(ii) do grupo.
*tronquinho - ramo muito pequeno.
*trupe - ruído ou barulho.
*malhado – manchas.
*de cauda - designa o vestido comprido do baile.

Nota: Vocês poderm escutar o conto em http://cvc.instituto-camoes.pt/contomes/05/texto.html.  A narradora usa a variante europeia, porém estou certa que vocês vão compreender perfeito.