Boa tarde pessoal,
Vamos continuar trabalhando com outro gênero narrativo, isto é "O conto". A seguir podem ler o artigo "Conceito de conto", logo coloquem seu comentário no blog e leiam e escutem o conto "A gravura". Na quarta-feira conversaremos sobre este tópico na sala de aula.
CONCEITO DE CONTO
fonte: http://conceito.de/conto
A palavra conto deriva do termo latino compŭtus, que significa “conta”. O conceito faz referência a uma narrativa breve e fictícia. A sua especificidade não pode ser fixada com exactidão, pelo que a diferença entre um conto extenso e uma novela é difícil de determinar.
Um conto apresenta um grupo reduzido de personagens e um argumento não demasiado complexo, uma vez que entre as suas características aparece a economia de recursos narrativos.
É possível distinguir entre dois grandes tipos de contos: o conto popular e o conto literário.
O conto popular tende a estar associado às narrativas tradicionais que são transmitidas de geração em geração, oralmente (de “boca em boca”). Podem existir várias versões de um mesmo relato, tendo em conta que há contos que conservam uma estructura semelhante embora com diferentes detalhes.
O conto literário, por sua vez, está associado ao conto moderno. Trata-se de relatos concebidos por escrito e transmitidos da mesma forma. Apesar de a maioria dos contos populares não apresentarem um autor diferenciado, o caso dos contos literários é diferente, já que o seu criador costuma ser conhecido.
Entre os contos escritos na língua de Camões, destaca-se A Gravura (de Irene Lisboa), que faz parte das histórias sobre os “Sonhos in «Uma Mão Cheia de Nada Outra de Cousa Nenhuma”, Porto, Livraria Figueirinhas, s/d.
Por outro lado, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora menciona que a palavra conto também se pode referir ao relato indiscreto de um sucesso, à narração de um sucesso falso ou a um engano. Por outras palavras, uma mentira ou ainda um boato. Por exemplo: “O Pedro veio com o conto (a história) que não consegue arranjar um emprego”.
"A gravura" de Irene Lisboa
"A gravura" de Irene Lisboa
E o sonho com uma gravura que havia, muito do meu
gosto?
Sonhei que aquilo tudo era real: vi-a animar-se,
mexerem-se as figuras...
Nisto abria-se o portão. Por uma *alameda abaixo
vinham dois cavaleiros e uma amazona. Ela falava e ria-se e até voltava a cara
para trás. Procurava com os olhos um belo cavaleiro, *desirmanado do grupo, que
montava um cavalo bravio. Também havia mais cavaleiros e amazonas, que se não
distinguiam lá muito bem.
Mas tudo aquilo era bonito, era elegante.
Saíram todos do portão, finalmente, e até uma das
damas, com a ideia que teve de arrancar um *tronquinho de hera, ia caindo do
cavalo abaixo.
Deixei de ouvir o *trupe dos cavalos e as vozes e
vi-me sozinha. Só, só de todo! No meio do campo. Fazia um luar divino. E todo o
meu desgosto era de não ser fidalga, de não pertencer também à cavalgada.
Pus-me a andar de um lado para o outro e a falar só.
Porque não tinha eu ido com eles? Com eles é que eu devia ter ido! À noite
vestiria um fato de baile...
Olhei para o chão, que me pareceu todo *malhado. Eu
não devia pisar nenhuma daquelas malhas. Eram de luar líquido. Devia saltar por
cima delas, e era o que fazia. Dava cada salto! Cheguei a saltar de árvore para
árvore. De cima de uma delas até descobri um salão onde as fidalgas andavam a
dançar.
Lá lá lá...lá lá lá...lá lá lá...Que valsa tão doce e
tão agradável! Conhecia-a tão bem!
Eles, de calção de seda e de meia alta, elas, *de
cauda...
Deixem-me dançar também, dizia eu, sem que ninguém me
pudesse ouvir. Por fim agarrei-me a uma árvore e pus-me a andar à roda.
Mas que vergonha, que vergonha! Descobriram-me!
Nisto acordei.
Glossário:
*alameda - passeio público.
*desirmanado - pessoa que se
separou (i)da outra pessoa com quem fazia par.(ii) do grupo.
*tronquinho - ramo muito
pequeno.
*trupe - ruído ou barulho.
*malhado – manchas.
*de cauda - designa o vestido
comprido do baile.
Nota: Vocês poderm escutar o conto em http://cvc.instituto-camoes.pt/contomes/05/texto.html. A narradora usa a variante europeia, porém estou certa que vocês vão compreender perfeito.

Acho muito interessante a temática literária que estamos conhecendo. Agora vamos falar sobre o conto, e acho que pode ser divertido. É um género especialmente atractivo pelas suas características: é breve, tem liberdade de imaginar e fazer ficcao tanto pelos narradores e escritores, como pelos leitores. Também é especialmente agradável para ser lido pelas criancas é jovens, e as pessoas que lem pouco. Eu me lembro de ter desfrutado de contos que meus pais mi liram, tanto como que eu mesma li para meus filhos quando eram pequeninos. Repasando um pouco a informação em a internet, somente no Brasil tem centos de escritores que escreveram, além de contos, outros géneros literários. A autora de 'A gravura' -Irene Lisboa-, foi primeramente professora da educação infantil. Ela naceu e morreu em Portugal, e pelas sual idéias avanzadas, também sofreu a censura exercida pela ditadura do portugués António de Oliveira Salazar.
ResponderEliminarEscrevi 'sual'. Deve dizer 'suas'. Uma desculpa.
EliminarAcho que o conto é um dos generos literários mais populares, todos os povos tem contos de muitos tópicos para todos os gostos, há muitos povos orgulhosos da sua produção cuentística, até aos mais "primitivos" não lhes faltam histórias narradas como contos, e sobre os grandes autores, a maioria tem cultivado o genero, e alguns que se destacaram neste, como Poe, Howthorn ou Bierce nos Estados Unidos, Balzac, Gautier ou Maupassant na Franca, Averchenko, Tolstoi ou Afanasiev na Rusia, todos os paises contam com contadores de histórias dos quais podem estar orgulhosos.
ResponderEliminarO conto é um dos meus género literarios favoritos, gosto muito de ler contos. Gosto deles porque por um momento, seja breve o não tão breve, o conto te transporta a otra realidade, com a cual as vezes posso sentirme identificada. Além disso, acho que o conto é um dos géneros que permite melhor a diversidade de estilos, creatividade, histórias e personagens.
ResponderEliminarEste texto explica as características do conto: debe ser breve, com um argumento não tão complexo, com poucos personagens e faz a diferença entre o conto popular e o conto literario. Sobre este último tipo de conto eu gostaria de retomar o ensaio de Julio Cortázar "Sobre o conto".
Nesse ensaio, Cortázar coincide em que o conto debe ser breve mas também argumenta que o conto é un género pouco enquadrable, porque não tem um consenso sobre a sua extenção e porque também não existem reglas para escrever o conto. Contudo, Cortázar, um dos melhores contistas latinoamericanos, enfatiza que em um conto não basta com quer escrever uma anécdota, é necessario pegar a atenção do leitor, com un ritmo é clímax interessantes, que deixem uma "marca" em nossa forma de ver a vida.
Para terminar, eu deixo aqui uma citação desse mesmo ensaio: "Os contos perduráveis são como a semente onde está dormindo a árvore gigantesca. Essa árvore crescerá entre nós, dará sua sombra em nossa memória."
Acho muito interessante que nós aprenderemos sobre os contos. Sinto que os contos são bonitos porque ao ler você imagina que está dentro deles .
ResponderEliminarAchei interessante y um bom conto "a gravura" mas não fico bem claro para mim ainda que o texto diz que os contos não são tão complexos.
Acho muito importante comprender a formação de um conto porquê poderia ser muito fácil de confundir com uma novela.
ResponderEliminarOutra coisa importante é que deve ter uma história com umas estrutura bem definida ainda não seja real, pode ser uma história falsa mais deve ter uns estrutura com um clímax
O conto não e um do meu gênero preferido, no entanto, acho que sua mesma estrutura faz que seja uma pequena dose de café que pode impressionar de um só golpe. Eu, como Itzayana, li o ensaio de Cortázar, quem fala de o conto, e também acho que o conto, é um gênero difícil de
ResponderEliminarclassificar.
Caros alunos, agradeço suas contribuições, cada uma com sua perspectiva a partir das vivências e da leitura de diversos contistas. Uma observação importante que faz Carmen quanto a que a autora do conto "A gravura", Irene Lisboa, foi censurada pela ditadura Salazarista; assim como ela, vários escritores ou artistas já foram censurados em muitos países a causa de seus pensamentos e ideais. Eu admiro essas pessoas que arriscam até a própria vida porque falam para o mundo o que pensam.
ResponderEliminarEu também gosto muito do gênero conto, muito especialmente dos contos de Eça de Queirós, escritor português, e de Mia Couto, escritor moçambicano.
Na próxima entrada ao blog vou colocar algo sobre esses dois escritores. Tomara que todos os coleguinhas que não contribuiram até hoje, se decidam participar, é uma experiência importante trocar ideias através deste recurso tecnológico, não acham?