martes, 19 de septiembre de 2017

TEATRO PORTUGUÊS

Oi pessoal,

Visto que a próxima macro-tarefa será "Escrever uma peça de teatro", vamos conhecer um dos escritores mais importantes do teatro português.

Gil Vicente
retirado de:  http://www.cet-e-quinhentos.com/autores

Entre 1502 e 1536, Gil Vicente faz na corte de Portugal o melhor e mais avançado teatro da Europa cristã do seu tempo. Para um mundo novo, transforma de raiz um modelo que o tempo produzira. O autor (talvez ourives de primeiro ofício) terá trabalhado no teatro dos trinta e dois aos sessenta e seis anos da vida. No princípio do período manuelino, o trabalho de Gil Vicente foi instigado, apoiado e pago pela rainha Lianor, irmã de Manuel I e viúva de João II. Morto o rei Manuel em 1521, sucede-lhe o filho João III, que, como o pai e a tia, manda fazer teatro no paço. O primeiro terço do século XVI é o tempo de apogeu da corte de Portugal como centro de um movimento de expansão que abrange a África, a Índia e o Brasil. Lisboa torna-se um lugar de luxo e arte que só tem rival na corte do Papa. O teatro recorta-se como prática limitada e como mercadoria. Uns ordenam e outros representam. Num sistema novo de divisão do trabalho artístico, emergem ofícios em busca de legitimação: autores e actores. Compradores encomendam produtos com prazos e medidas, paga-se a quem faz e o teatro tenta equilibrar oferta e procura de arte. No teatro de Gil Vicente, auto é um nome comum que designa cerca de cinquenta produções teatrais: moralidades, farsas, comédias. Cada auto é a apresentação de um programa para acção de corpos. Existe como monumento especioso em festas religiosas e seculares. Sabe dos autos anteriores, da corte onde se faz, do mundo. Mas não é só memória acumulada. É movimento e nova invenção. O trabalho de Gil Vicente implica imaginar um projecto de auto, escolher e montar materiais, escrever e ensinar versos novos, achar um modo para vestir os actores, escolher ou fabricar o aparato, conhecer o espaço em que vai trabalhar, com entradas, saídas e mais formas. É preciso também fazer ou escolher as músicas. O conjunto dos autos forma uma série homogénea de acções textuais de corpos vivos: autor, actores e mais quem vê. O autor é fundador e proponente. Os actores são corpos que mexem no espaço e produzem sequências de imagens e sons. Gil Vicente é autor e actor. Desde o primeiro auto, dá-se a ver e a ouvir, expondo o próprio corpo feito texto. Não se sabe quem são os outros actores. Aliás, de todo este trabalho de teatro ficou pouca memória. Nenhum pintor, ao que parece, representou um momento a fazer-se. Quase ninguém contou por escrito como foi. Diogo do Couto, Garcia e André de Resende, o cardeal Aleandro falaram da sua realidade, mas pouco contaram. De qualquer modo, por muita memória que tivesse ficado, o que se poderia sempre dizer dos autos de Gil Vicente é que houve muitos e não há nenhum. São acções perdidas porque o trabalho de teatro não fica todo na memória digital. Quase tudo o que hoje se sabe do teatro de Gil Vicente vem da Copilaçam de todalas obras, impressa em 1562 e organizada pelos filhos Luís e Paula, e de alguns folhetos anteriores, impressos em vida e à vista do autor, por vezes com informação próxima dos autos: Barca do Inferno, Maria Parda, Dom Duardos, Inês Pereira. Os objectos artísticos de Gil Vicente produziram escritos, espectáculos, desenhos, músicas. Foram feitas bibliografias em 1942 por Castro e Azevedo (Lisboa: Biblioteca Nacional) e em 1980 [e 1997] por Constantine Stathatos (Londres: Grant & Cutler). O manual de base é ainda o livro de Braamcamp Freire Vida e Obras de Gil Vicente «Trovador, Mestre da Balança», escrito em 1919. Convém que o leitor conheça a Copilaçam de 1562 e os folhetos, ao menos por reproduções analógicas. Osório Mateus, 1995.



Exercício.  Depois de ter lido o texto acima, procurem alguma das obras de Gil Vicente e tragam para a sala de aula "um fragmento" da obra. Postem sua contribuição antes de 4 de outubro.  Na aula da quarta-feira conversaremos sobre a obra de Gil Vicente. Se quiserem podem buscar outros dramaturgos portugueses ou brasileiros e trazer informação para compartilhar na sala de aula.

5 comentarios:

  1. Acho que não tinha escutado falar de este autor, é uma boa oportunidade de conhecer um autor portugues de teatro, mesmo que as suas obras podem estar um pouco afastadas de nosso tempo, e os tópicos ser diferentes aos que atualmente gostariam, assim, vemos titulos como o Auto dos Reis Magos, que podem lembrarnos as representações que aqui chamamos "Pastorelas", e que desde o principio vemos que tem um caracter religioso. Outra coisa é que vendo as datas, vemos que este autor é anterior a Cervantes, e provávelmente lido por ele, pelo qual talvez seja Vicente, uma influência para o autor de Don Quijote, já que ele também escreveu peças de teatro, embora, no seu tempo chamadas "Entremeses".

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  2. Oi, declaro que embora eu goste de ver o teatro eu não sabia sobre a existência de Gil Vicente, nem ter visto nenhuma peça de teatro de Portugal. Espero ter a oportunidade de ver o teatro português. E agora pretendo ler algo de Gil Vicente.

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  3. Gostei de conhecer outra vez algo novo e interessante, como todos os dias. Quem va saber de Gil Vicente em as escolas comuns? Ninguém, até agora, claro. Pode-se dizer que o teatrólogo e ator português Gil Vicente é fruto de uma época. Ele criou o teatro vicentino, caracterizado pelo poder da sátira. Sua biografia se dá entre 1465 e 1536, no contexto do ‘Humanismo portugués’. O Humanismo é um período de transição entre o fim da Idade Média e a Idade Moderna. Caracteriza-se pelo crescimento das cidades e o enfraquecimento do feudalismo. Com a perda de poder dos senhores de terras, os reis se aliam aos burgueses, principalmente comerciantes, dividindo com a igreja o poder político. Gil Vicente cresce nesse universo. Escreveu autos, comédias e farsas, em castelhano e em português. São conhecidas 44 peças, 17 em português, 11 em castelhano e 16 bilíngues. Destacam dois gêneros: os autos, com a finalidade de divertir, de moralizar ou de difundir a fé cristã; e as farsas, peças cômicas de um só ato, com enredo curto e poucas personagens, extraídas do cotidiano. Ambos são plenos de críticas à sociedade. Entre os autos, a Trilogia das Barcas ("Barca do Inferno", 1517; "Barca do Purgatório", 1518; e "Barca da Glória", 1519) reúne peças de moralidade, que constituem uma alegoria dos vícios humanos; e o "Auto da Alma", de 1518, encena a transitoriedade do homem na vida terrena e os seus conflitos entre o bem e o mal. As farsas, como "Quem Tem Farelos?" em 1515, "Mofina Mendes" em 1515, e "A Farsa de Inês Pereira" em 1523, realizam quadros populares de força moral e simbólica, num tom cômico mais contundente. O ponto mais forte de Gil Vicente está na criação de tipos humanos como o velho apaixonado, a alcoviteira, a velha beata, o escudeiro fanfarrão, o médico incompetente, o judeu ganancioso, o fidalgo decadente, a mulher adúltera e o padre corrupto. Para a aula, levo a 'Farsa de Inês Pereira', só uns fragmentos.

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  4. É impressionante o que uma pessoa com talento pode fazer. Acho que para esses anos era ainda mais difícil fazer uma peça de teatro que agora (na verdade não sei, por que antigamente faziam mais teatro que agora). Tambien é triste que não existem muitos registros ou reconhecimentos para Gil Vicente ou outras pessoas que fizeram muitas cosas boas.

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  5. Muito agradeço as contribuições recebidas, as três mostram o interesse por aprofundar na cultura lusófona, meus parabéns.

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